22Nov
Nesta semana, o corintiano terá de fazer um esforço extra. Certamente não será fácil torcer pelo maior rival. Mas é que Palmeiras poderá deixar o título do Campeonato Brasileiro de 2010 mais próximo do Parque São Jorge. O alvinegro depende de um tropeço do Fluminense, que no domingo terá de enfrentar o alviverde. E quem pensa ser uma utopia o Palmeiras ajudar o Corinthians está totalmente enganado.
Em 1988, o Corinthians, então dirigido por Jair Pereira, dependia de um bom resultado do Palmeiras contra o São Paulo, no Morumbi. Durante a semana, muitos comentários de que o Palmeiras facilitaria as coisas para o Tricolor, só para não ter que ver o grande "inimigo" na final do estadual.
"Muitas coisas foram faladas durante aquela semana. Mas acima de tudo o Palmeiras tinha jogadores de brio, que sempre tiveram o orgulho de vestir aquela camisa", comenta Gérson Caçapa, ex-volante palmeirense e autor do único gol daquela partida no Cícero Pompeu de Toledo no dia 17 de julho de 1988 (veja foto da Gazeta Press, em 88, que mostra Caçapa com a camisa palmeirense).
"Foi um gol muito importante para a minha carreira. Em nenhum momento pensamos em entregar, jogar com o corpo mole. O Palmeiras não tinha mais chances no campeonato. Mas o nosso nome, o nome do clube estava sim em jogo. É verdade que alguns torcedores mais fanáticos não gostaram muito. Mas depois entenderam. Afinal, o São Paulo também é um grande rival. E contou para nós mais uma vitória sobre o São Paulo", fala.
O dia em que a Fiel gritou: "Palmeiras, Palmeiras..."
Naquela mesma tarde, no Pacaembu, o Corinthians precisava vencer o Santos, que, assim como o Palmeiras, não tinha mais grandes objetivos na competição. O time do Parque São Jorge fez a lição de casa. Bateu o Peixe por 2 a 0, gols do meia Éverton e contra (do zagueiro santista Celso).
Mas a Fiel não estava preocupada apenas com o duelo de alvinegros. Com ouvidos colados nos radinhos, os corintianos explodiram quando souberam que o Palmeiras, com Gérson Caçapa, tinha marcado contra o São Paulo. Eufóricos, os corintianos gritaram para que todos ouvissem: "Palmeiras, Palmeiras, Palmeiras..."
Manchete: "PorCorinthians"
Naquela semana, a revista "Placar", que era semanal, colocou a genial manchete em sua capa: "PorCorinthians". Uma maneira de brincar com "Porco", mascote palmeirense, e com o fato do Corinthians ter conseguido entrar na final do Campeonato Paulista. O alvinegro enfrentou o Guarani, de Neto, Boiadeiro, Evair, João Paulo, Ricardo Rocha e companhia e venceu o estadual, gol de Viola, na prorrogação, no Brinco de Ouro.

Acima, o ingresso do jogo entre Corinthians e Santos, no Pacaembu. Na mesma hora, no Morumbi, o São Paulo amargava derrota para o Palmeiras, de Gérson Caçapa
Respeito dos corintianos
"Até hoje, muitos corintianos me abraçam. O respeito é importante. O que importa é que eu tive muito orgulho de vestir a camisa do Palmeiras, marcar gols pelo Palmeiras, independemente de ajudar esse ou aquele", analisa o ex-volante, que hoje tem 43 anos e já é avô.
Gérson Caçapa entende que sua permanência no Palmeiras não foi prejudicada por causa do gol. "De maneira nenhuma. O gol foi bacana para a minha carreira. Ali, todos viram que o Palmeiras tinha grandes homens. Isso ficou marcado", diz Gérson Caçapa, que admite ter pensado que o Palmeiras não conseguiria sequer empatar aquele jogo contra o São Paulo.
"Eles (jogadores do São Paulo) perderam muitos gols. Precisavam da vitória. E o São Paulo sempre ataca quando joga no Morumbi. Naquele dia não foi diferente", revela. O ex-meio-campista garante que tem clara lembrança do gol. "Já estava aos 44 do segundo tempo. A jogada nasceu pela esquerda. Eu recebi na área e bati. O goleiro do São Paulo era o Rojas (chileno Roberto Rojas)", conta.
O que faz Caçapa?
O ex-volante encerrou a carreira prematuramente, aos 33 anos. "Acho que eu poderia ter continuado jogando. Não sofri lesões graves em minha carreira. Mas optei por parar. Hoje, eu já trabalhei com o Careca e com o Edmar no Campinas. Espero continuar no futebol de alguma maneira", diz.
Orgulho de ter jogado na Itália
Além de admitir que deve muito ao Palmeiras, clube que o projetou, Gérson Caçapa não esconde ter muito orgulho de ter jogado no futebol italiano. "Era um campeonato muito difícil. Era o mais difícil de todos. Eu atuei pelo Bari e enfrentamos vários times sensacionais: Milan, Napoli, Juventus, Roma... Eram jogos complicados. O Bari, minha equipe, conseguiu escapar do rebaixamento, o que já era uma alegria", diz Caçapa, casado há 23 anos com Monica. "Ela é de família italiana. Ajudou-me muito lá", emenda.
Kigol - Entrevista com Gerson Caçapa by kigol